2.8.19

Voltar aqui ao blog e ter uma sensação reconfortante de "voltar a mim" fez-me pensar que se calhar daqui a 10 anos vou gostar de fazer a mesma coisa e ler a pessoa que sou hoje.
Um dos melhores conselhos self-help que já recebi para a vida foi: "Find what feels good". Eu acrescentaria "...afterwards".
E este sítio feels really good. 

16.4.10

from the past (op.II - Pink Satin Dress)

she wore pink because she thought it would make her feel more feminine.
But alone, outside the fancy restaurant after a two hour wait and a bottle of empty Chianti, she just felt lonely, rainy and drunk.

From the past. (op.I - Life as planned)

He never dreamt of being a great cook. He just imagined how nice it could be, having a family gathered around the wooden table, talking rubbish while waiting for the oven to go "Ringgg"

Reflections on a Weekday lunch



[Reflexões sobre poster da Marilyn Monroe, Serralves, cr, 16.Abr.2010]

Para os mais distraídos: a piada da foto é que a boca da Marylin M. no poster parece mesmo o meu olho (com direito a íris e tudo). Resolvi explicar, não fossem vocês não dar por ela...

15.4.10

Aos 29 anos, 5 meses e 1 dia, o meu superego (lisboeta) despótico concluiu que tenho sido desde sempre demasiado complacente com a minha tendência geral para distrações, esquecimentos, precipitações e tropeções e que está na altura de mudar. O pior é que até o meu alter-ego "live life easy" portuense se viu forçado a concordar...

Porto sentido

sabem quando têm a cabeça cheia de coisas e sentem uma necessidade terapêutica de escrever qualquer coisa mas está tudo tão desordenado que não conseguem reunir informação coerente para formar uma frase, quanto mais um pequeno texto? Sabem? Pois, é assim que eu estou. Esta cidade deixa-me exausta de tanto input emocional que gera em mim. Mas não me posso queixar. Nem mesmo com as duas quase-tendinites que tenho nos pulsos de fazer quilómetros com a b. a "pinchar" no meu colo e a fugir "da minha beira" nos poucos momentos em que me atrevo a pousá-la no chão.

Uma coisa é certa. O Porto puxa pelo meu lado casual e alternativo como Lisboa puxa pelo meu lado certinho e by the book. Se calhar por isso é que me sinto tão bem aqui... o meu inner self não gosta de ser contrariado. :)

Reflexões

[Life in cd mode and vinyl mood, cr, 14.Abr.10]

11.4.10

the beach is my spa.

Bacolite

s.f. Inflamação da alma, temporária ou crónica, que provoca um interesse repentino e violento pelo mundo da enologia. A sintomatologia pode variar de pessoa para pessoa, podendo apresentar formas mais agressivas em pessoas com situações prévias de perturbações do foro gastronómico ou outras.  Entre os sintomas mais frequentes destaca-se a procura compulsiva de informação e conhecimento sobre vinho (nomeadamente através de compra de revistas da especialidade, pesquisa de sites e adesão a grupos sobre o tema no Facebook) e um aumento de cross-buying de alimentos específicos, como queijos, foie gras, pão, azeitonas e anchovas em lata.
O bacolítico poderá ainda ser observado a inalar intensamente alimentos, bebidas, flores, árvores, entre outros. Apesar de socialmente vexatório, este comportamento é transitório e deverá ser desvalorizado.

7.4.10

Ao longo da minha vida

quantas das coisas com que me preocupei chegaram mesmo a acontecer?
e quantos dos planos que fiz se realizaram? quantas das premissas em que assentavam esses planos são hoje sequer válidas? Existem tão-pouco?

Dei por mim ontem a pensar nisto, enquanto corria 9km junto ao Tejo* e reflectia sobre o cliché do "viver o presente"...

*um final de dia deslumbrante, cheio de sol e espelhos de água no rio.

6.4.10

(Des)Amores de infância

Também eu não gostava de Mozart. Dos 11 aos 17 anos, como convém a qualquer adolescente que se preze. E nem sequer era um "não gostar" passivo, uma espécie de indiferença. Não, eu era convicta e activamente contra a música dele e enchia-me de fôlego para proclamar a quem quisesse ouvir (e a quem não quisesse também!) todos os devidos insultos. Comercial, superficial, imaturo, monótono...a lista seguia ao sabor da capacidade da minha caixa toráxica. Quando estava em boa foma, os insultos prolongavam-se mais, o que me deixava uma sensação final de satisfação e dever cumprido. No final dos impropérios, com um segundo fôlego - normalmente já perante o olhar esgazeado de choque e incredulidade do ouvinte - ainda acrescentava que a única coisa realmente decente que ele tinha feito a vida toda era o Requiem e que mesmo isso não era na totalidade criação sua, o que mais uma vez provava o meu ponto.

Entretanto passou-me, reconciliei-me com o "génio" e ainda criei uma teoria (não formalizada nem devidamente patenteada) sobre o assunto. Quando decidir se eu própria acredito nela, talvez vos tente vendê-la a vocês. Até lá, vou reflectindo sobre o assunto...

Amores de infância

«Ame-se, odeie-se. Mas não se finja não perceber que o homem era mesmo um génio. Um óbvio ET do piano.»

Glenn Gould não era apenas um pianista. nem apenas um pianista talentoso. nem apenas um pianista talentoso e bem sucedido. Glenn Gould era a personificação do anti-convencional. um enfant-térrible inato, sem necessidade de justificações freudianas sobre experiências de infância sublimadas ou reprimidas para o seu original comportamento. Ele era assim. Ponto.

Glenn Gould era um solitário, que amava as salas de gravação quase tanto quanto odiava (ou passou a odiar a certo ponto) as salas de concertos «at live concerts I feel demeaned, like a vaudevillian», viciado em vallium e em telefonemas longos de madrugada, capaz de aparecer vestido dos pés à cabeça com luvas, gorro, cachecol e sobretudo num quente dia de Verão, autor de auto-entrevistas tão esquizofrénicas quanto divertidas, com títulos como "Admit It, Mr. Gould, You do have doubts about Beethoven" e com hábitos tão invulgares (e dolorosos) como o de colocar as mãos em água a ferver antes de cada actuação, com o intuito de manter os dedos quentes.

Mas Gould era também um revolucionário, um homem que reinventou a música de Bach e reeducou os ouvidos do mundo à sua sonoridade e interpretações. Ele não se limitou a ousar tocar prelúdios de Bach em quasi staccato, a fazer uma 2ª gravação de uma fuga em 1/3 do tempo da 1ª (de 4 minutos e 17 segundos para 1 minuto e 47 segundos) e a cantar melodias, murmurar e gemer durante as gravações. Ele fez mais. Tornou tudo isso numa imagem de marca (todos os direitos reservados®) e elevou-se ao título de mito.

Ou, nas palavras do New Yorker, ao de "Marlon Brando of the piano".

O primeiro sítio onde quero ir em NY? Aqui, claro!

starting countdown

Only 2 days left for my 25 (!!) days break! I feel like i'm 12 again, june, last day of school, saying goodbye to friends, making plans and resolutions for September.

summer dreams (V)

[A minha praia, cr, Nov.2008]

summer dreams (IV)

Vou procurar conchas na areia até ter 85 anos e me doerem as costas do reumático quando me baixar para as apanhar

summer dreams (III)

Vou-me levantar sempre cedo para ganhar o respeito dos vendedores da lota e ter sempre escolhido para mim o peixe melhor.

summer dreams (II)

Vou beber batidos de fruta, cafés bem fortes feitos na minha velha Moka e vinho branco e comer peixe grelhado, muitas batatas e salada sem inventar (alface, tomate e cebola, muito azeite e pouco sal).

summer dreams

Quando for grande vou ter uma casa na praia. Com soalho de madeira pintado de branco (sim, em Portugal é quase crime capital pintar um chão de madeira de branco, but i'll take my chances), paredes brancas, móveis brancos, tudo branco. Para reflectir a luz imensa que vai entrar pelas janelas e para que não hajam cores inúteis a distrai-me da paisagem, da areia e do mar.

3.4.10

A minha páscoa não teve amêndoas, ovos ou chocolates. Mas arrumei um folar inteirinho, torrado, com manteiga por cima e litros de chá a acompanhar. Gosto de dizer que a b. comeu um bocadinho, para não parecer tão...mmmm... comilona. Na verdade, alarve i think would be the right word :)