Terça-feira, Setembro 27, 2011

Arroz Doce

Um dos meus objectivos para 2011 era aprender a fazer um bom arroz doce. Mas entretanto evoluiu para aprender a fazer o melhor arroz doce do mundo. À partida é um objectivo ousado e, no mínimo, subjectivo, mas eu aceitarei qualquer resultado que: 1) respeite a tradição portuguesa de o fazer (ou seja, nada de vagens de baunilha lá para dentro!) e 2) seja o melhor arroz doce que eu e as pessoas que o provem já tenham comido. Essa afirmação tem de ser clara e comprovada por pelo menos duas testemunhas oculares.

E pronto, definidos os termos de referência, iniciemos.

Comecei por uma receita base:

Ingredientes: 750ml de leite (vigor gordo. A minha mãe dizia-me sempre: para as sobremesas, sempre leite gordo e fresco); 250g de arroz carolino ou outro arroz redondo; 250g de açúcar; 3 gemas de ovos; casca de limão q.b; 1 pau de canela; 1 pitada de sal.

Preparação: Aquecer o leite e quando está na iminência de ferver, juntar o arroz, o açúcar, o sal, a casca de limão e o pau de canela. Mexer, baixar o lume, tapar o tacho e deixear ferver em lume brando até o leite evaporar e o arroz estar cozido. Retirar do lume. Deixar arrefecer uns 5 minutos e juntar 3 gemas batidas, mexendo bem para incorporar as gemas no arroz. Levar ao lume em lume muito brando mais uns 3 minutos, mexendo sempre. Retirar do lume, pôr numa travessa e decorar com canela em pó.

O arroz doce foi elogiado e repetido. Na realidade, acabou no dia em que o fiz. Mas eu ando à procura da receita per-fei-ta e, para chegar lá, acho que há melhoramentos a fazer. Para a próxima vez estas são as coisas que vou fazer diferente:

1) Aumentar a quantidade de leite. Cozi tudo em lume branco e mesmo assim tive de adicionar leite no final. Acho que 1l de leite para 250g de arroz carolino é uma proporção mais honesta. Mais leite ainda se usarem um arroz mais denso, carnaroli ou arborio, por exemplo.

2) Colocar o açúcar só a meio da cozedura. Uma vez ouvi, num Mastechef Australia onde estavam a fazer rice pudding (arroz doce), que o açúcar aumenta muito o tempo de cozedura. Não sei se é verdade ou não, mas o meu arroz doce ficou ligeiramente duro no interior. À partida um arroz doce al dente não é uma coisa que me desagrade, sempre é uma textura mais interessante do que uma simples papa, mas enquanto no al dente há uma textura uniforme (todo o grão de arroz está cozido a, imaginemos, 70%), no caso do meu arroz era mais como se 90% do grão de arroz estivesse cozido e 10% (a parte mais interior) estivesse cru. O que não é bem a mesma coisa.

3) Vou diminuir o açúcar uns 30 ou 40 g, indo contra a opinião de todos os que provaram o arroz. Estava óptimo, mas tenho para comigo que o açúcar é como a temperatura do banho: enquanto continuar a ser bom, é ir baixando.

4) Acho que um dos motivos porque a sobremesa ficou tão boa foi a quantidade de limão que pus. A verdade é que eu sou uma fã de limão. É um daqueles ingredientes que, tivesse eu de me privar de tudo excepto de 3 ingredientes, provavelmente ficaria comigo. E o limão nas sobremesas tem o mérito extra de cortar o doce e impedir que se tornem enjoativas (o que também nos permite consumir mais quantidade :) Aqui utilizei a casca de 1 limão médio (bem aproveitadinha!). A única alteração para a próxima vez é que vou experimentar ralar finamente a casca para que se possa comer com o arroz doce, em vez de pôr as cascas inteiras e no fim ter de andar a apanhá-las do arroz quente para deitar no lixo. Veremos se faz muita diferença em termos de sabor.

Daqui a uns dias vou fazer novamente o arroz doce, com estas alterações, e digo-vos como ficou. Também há quem “abra” o arroz, cozendo-o parcialmente em água antes de colocar o leite. E vocês, como o fazem? As vossas mães, avós? Se quiserem contribuir com ideias, serão todas benvindas!

5 comments:

Rita disse...

Na receita da minha avó, o arroz é inicialmente, cozido em água e depois leva 1L de leite para uma chávena de chá de arroz. (não rales o limão... não me parece muito boa ideia... depois fica cheio de gruminhos de limão amargo...) E para a próxima também quero provar!

Rita disse...

Ah... roubar no açúcar é uma óptima ideia! A minha avó aconselha sempre de fazer isso! (tinha-me enganado antes...)

mi disse...

A minha avé faz o melhor arroz doce do mundo! :)

Mas tenho todo o prazer em provar o teu da próxima vez! ;)

Já tomei nota de receita da minha avó (ela faz sem receita mas eu já andei a medir as quantidades) mas ainda não me arrisquei a fazê-la.
Recordo-me que ela "abre" o arroz, sim senhora, não leva ovos, leva manteiga e leite meio-gordo...

Posso dar-te a receita conforme a apontei e se calhar até a experimento no dia em que vieres cá jantar (temos que combinar!).

Ah, e também sou freak do limão (e da canela e de outras coisas que para aqui não interessam...) mas acho que a Rita que comentou em cima pode ter razão e ficar uma droga...

Beijinhos

Eulália Tadeu disse...

Olá
Eu abro o arroz num pouco de água e depois é que acrescento o leite (gordo). Deito sempre muito pouco arroz para ficar mais cremoso. não coloco casca de limão mas sim de laranja. Conto as tiras para ser mais fácil não ficar lá nenhuma. só acrescento o açúcar quase no final quando o arroz já está bem cozido. Deve mexer-se continuamente e lentamente (é a parte chata) para ir misturando.
Bato as gemas e acrescento em fio mexendo sempre mas fora do lume. volta ao lume para engrossar até borbulhar. Está feito. A minha receita é a da minha família da Beira Alta.

ssartem disse...

eu dediquei-me durante anos a fazer a aletria perfeita (influências do norte)... Paralelismos: também abuso do limão, que não raspo, corto no açúcar, uso muita manteiga e nada de ovo. A receita que uso é suposto ser a de 1500 e troca o passo... :)