Li o livro todo nessa tarde, nesse café, ao longo desse maço de SG Lights. De um trago. Com um único fôlego. Foi isso que eu senti quando terminei. Como se tivesse estado aquelas horas (2?3?) a gastar devagarinho o ar dos pulmões como quem atravessa piscinas em apneia e no final precisasse de vir à superfície respirar de novo. Ver de nov o mundo fora da água.
Quando terminei, sentia-me dentro de um sonho do qual ainda não tinha acordado. Caminhei de volta ao Rato a olhar para as coisas com uns olhos que não eram (ainda) os meus, mas os dEle e só gradualmente fui regressando a Lisboa, à Rua E.Politécnica, à minha vida tranquila.
Isso é algo que os escritores brasileiros (não só eles, mas eles sem dúvidas) têm. Não precisam de grandes artifícios para escrever bem. Não precisam de grandes teorias, palavras difíceis, arrogância na expressão. Não se armam de retórica inútil. São puros. crus. instintivos. autênticos.
Naquelas (2?3?) horas, eu estive no mundo do Máiquel. Como poucas vezes me tinha acontecido depois de perdida a capacidade de viver os livros como quando tínhamos 9,10 anos e eles eram o mundo que ainda não tinhamos tido tempo de conhecer...e sugávamos cada palavra e cada aventura como se da nossa própria existência se tratasse.
É esse o efeito dos bons livros. São viagens de baixo custo, a qualquer lugar do mundo.
.(correcção: na verdade o livro foi oferecido no Natal de 2001 pela minha irmãzinha adorada que se queixou (com muita razão) da falsidade das minhas declarações. Mas também é verdade que me lembro claramente de ter ido à FNAC antes - tal como disse - onde provavelmente até comprei mesmo um livro. Apenas não este.)
1 comentário:
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