2.7.15

Courage

"Courage is more than endurance, it is the power to create your own life in the face of all that man or God can inflict, so that every day and every night is what you imagine it. Courage makes us dreamers, courage makes us poets."

from [The Blue Flower, Penelope Fitzgerald]

23.6.15

música do dia (de ontem)


[Zadok the priest - Hinos da Coroação, de Haendel]

Grevillea Robusta


[Foto pelo pai AB]

9.6.15

"I beg you to have patience with everything unresolved in your heart and try to love the questions themselves as if they were locked rooms or books written in a very foreign language. Don't search for the answers, which could not be given to you now, because you would not be able to live them. And the point is, to live everything. Live the questions now. Perhaps then, someday far in the future, you will gradually, without even noticing it, live your way into the answer."
 [Letters To A Young Poet, Rainer Maria Rilke] 

 Gosto tanto disto. Às vezes somos tão impacientes com a nossa evolução, não é?

12.7.12


De tempos a tempos 

Começa-me a crescer uma vontade de ir viajar para algum lado!! 
Agora estou assim. A sonhar com parques, passeios longos, restaurantes e cafés bonitos onde apetece ficar a ler a ementa eternamente e comidas diferentes (ou marcas diferentes das comidas do costume) em mercados e supermercados. 
Tudo em boa companhia. 
E, a propósito deste último ponto e da vontade que me dá sempre de comprar comida nas viagens: devia existir um aparelho de teleporte especial, dedicado a produtos alimentares, que conseguisse transportar as coisas boas para nossa casa e as conservasse intocadas e frescas até ao nosso regresso.

um poema da terra. sóbrio e eficaz.

The people I love the best
jump into work head first
without dallying in the shallows
and swim off with sure strokes almost out of sight.
They seem to become natives of that element,
the black sleek heads of seals
bouncing like half submerged balls.

I love people who harness themselves, an ox to a heavy cart,
who pull like water buffalo, with massive patience,
who strain in the mud and the muck to move things forward,
who do what has to be done, again and again.

I want to be with people who submerge
in the task, who go into the fields to harvest
and work in a row and pass the bags along,
who stand in the line and haul in their places,
who are not parlor generals and field deserters
but move in a common rhythm
when the food must come in or the fire be put out.

The work of the world is common as mud.
Botched, it smears the hands, crumbles to dust.
But the thing worth doing well done
has a shape that satisfies, clean and evident.
Greek amphoras for wine or oil,
Hopi vases that held corn, are put in museums
but you know they were made to be used.
The pitcher cries for water to carry
and a person for work that is real.

[To be of use by Marge Piercy]

17.5.12

Radiolab

Ontem, depois de receber o meu Mac "novo" (novo, novo não é. Uma herança bem-vinda, é mais assim) e apanhar um susto em que pensei que ia perder 1 ano e meio de fotografias e vídeos, organizei o meu iTunes e voltei a assinar o meu podcast preferido: o RadioLab É um programa de radio norte-americano que explora os mais variados temas científicos numa perspectiva super dinâmica e fora do comum. Tornou-se rapidamente um vício e até serviu como banda-sonora de jogging algumas vezes. Eu, que normalmente nem gosto de correr com música! Mas neste caso, aquilo é tão absorvente, que nem dava pelo cansaço do corpo e, assim, corria mais! Durante uns meses deixei de ouvir, mas agora voltei! Hoje estou a ouvir este, sobre um "presente" que deixamos nas nossas mães quando estamos na barriga delas e que dura anos, décadas depois de sairmos... Parece-me que nos próximos tempos vou andar nisto: de phones nas orelhas a compensar o tempo perdido! Alguns dos meus preferidos: Limits (possivelmente o meu favorito, sobre os limites do corpo humano. Genial e verdadeiramente impressionante!), Falling e Time. Se ouvirem, depois digam-me o que acharam! Também ando a ver se encontro mais podcasts giros. Já tenho alguns em vista: o Lugares Comuns, da Antena 1, o Governo Sombra da TSF e aulas de Psicologia da Universidade de Berkeley. Costumam ouvir podcasts? Têm algum que gostem muito e queiram partilhar?

15.5.12

borboletário

No sábado entrei dentro do Jardim Botânico pela primeira vez ao fim de 14 anos a viver em Lisboa. É um bocado embaraçante dizê-lo assim, mas mais vale ir tarde do que nunca, certo?
Mas não serei a única que andou a ignorá-lo durante muito tempo porque o jardim está com um ar... ignorado. Com uma atmosfera particular, uma espécie de pó quieto que poisa sobre as coisas que ficam paradas durante muito tempo, uma espécie de cristalização do tempo sobre a matéria. E um ar bucólico que condiz com as árvores centenárias de troncos e ramos que parecem impossíveis de existir à luz da física que aprendemos na escola.

Fomos lá para visitar o Borboletário. Já lá queria ir há muito tempo e a b. foi a desculpa perfeita. O Borboletário é uma espécie de estufa dentro do jardim, onde as borboletas têm um ambiente perfeito para viver e se reproduzir, com uma variedade grande de plantas (maioritamente mediterrânicas) de onde elas tiram o nectar para se alimentarem.
À primeira vista não impressiona. Apenas umas plantas e umas borboletas que vão esvoaçando por ali. Bonito, mas sem mostrar aquilo que com um olhar mais atento se consegue descobrir.
Foi quando acedemos a ser guiados por uma rapariga (que eu imagino ser estudante de biologia ou acabadinha de se licenciar) numa visita guiada que tudo ganhou outro encanto. Apesar de não ter o maior à vontade do mundo como guia nem ser uma oradora genial, cumpriu bem o papel, respondeu a todas as nossas minhas perguntas, foi prestável, simpática e mostrou-nos muito mais do que teríamos alguma vez conseguido ver sem ela.

A b. também mostrou que tem olho e passou o tempo a descobrir coisas (lagartas e borboletas) giríssimas, que mais ninguém via. Ficámos a conhecer muito melhor as borboletas e até aprendemos a identificar algumas das mais comuns, que vemos muitas vezes passar por nós nos jardins. Conhecemos a borboleta da couve (que pode ter duas ou quatro pintas pretas, consoante é macho ou fêmea), o almirante-vermelho, a impressionante borboleta cauda de andorinha que em fase de lagarta se alimenta de uma planta tão mal-cheirosa que os predadores mal a tentam comer, sentem o cheiro e largam-na logo, a borboleta limão e a borboleta cleópatra (verdinhas e muito parecidas), o bicho pau (giríssimo. essencialmente parece um pau, mas é um bicho, daí o nome :), lagartas de bicho da seda, etc, etc...
Para além dos bichos, também é giro ver as plantas. Entre outras coisas, morangos silvestres e vários tipo de ervas aromáticas, incluindo a salva ananás, que cheira MESMO a ananás (é o máximo. uma autêntica confusão dos sentidos. como comer um morango que cheira a laranja!).

Confirmei mais uma vez que à medida que vou "crescendo", vou gostando cada vez mais de árvores e plantas e bichos e, apesar de continuar a achar que o meu lugar para viver é mesmo na cidade, já só penso em ter um quintal para brincar com a b. e o d. no jardim, plantar as minhas ervinhas e alfaces, ter um limoeiro e jantar ao ar livre todos os dias de abril a outubro!
Quando olho para guias de turismo, também já só dou por mim à procura de jardins, hortas, parques, jardins zoológicos, aquários e afins... A vida vai-me aproximando do essencial: da natureza, da comida e das pessoas. Sinto-me a mudar (de uma forma boa) quando vejo a importância que estas coisas vão ganhando em detrimento de outras que antes me ocupavam tanto o espírito. Mas ainda há tanto caminho para andar!

11.5.12

Bernardo Sassetti (1970-2012)



[Do silêncio revelação, Bernardo Sassetti]

"Não quero a beleza, quero a identidade"

Clarice Lispector

10.5.12

La mia casa mi sta stretta quando il sole brilla così


[A Forest (Remix Mix), Mixed Up, The Cure]

Hoje é dia desta música, que eu "encontrei" (seria mais exacto dizer que me "encontrou") ontem lá em casa e que me dá uma pica descomunal! É uma boa música para celebrar este dia de sol e calor que nos aguarda e que, pelo menos em mim, desperta aquela energia latente que nos acorda para o mundo. Eu ouço esta música e apetece-me pegar nos meus amados nike e palmilhar uns quilómetros, dar passeios, apanhar uv's na cara, invadir os jardins da capital... Em suma, mudar-me para a rua.
E fazer mais comidas de verão, como os tomates recheados com couscous, iogurte, harissa e manjericão que jantámos ontem, acompanhados de um D. Ermelinda branco e muita muita conversa à janela, que fingíamos ser o quintal que um dia haveremos de ter!
Um bom dia de Verão para todos!

9.5.12

Mercearia Criativa

A Mercearia Criativa já vai fazer 2 anos. No dia 15 de Maio celebram dois anos de luta contra a dificuldade que é ter um negócio pequeno, para um público de nicho, numa altura de crise, num país de supermercados. Tem muito valor, parece-me. Quando penso em abrir um negócio (o que, esclareço, acontece muito muito raramente!) a única coisa que me vem à cabeça é uma mercearia. Porque é o que me faz vibrar. Porque tenho recordações de infância dentro daquelas mercearias antigas, que já quase não existem, onde se compravam frutos secos a granel no Natal e os empregados eram magrinhos e nos tratavam como se fossemos só nós. A Mercearia Criativa não é igual à minha memória idílica. Nem é parecida. É diferente e muito própria. Longe da frieza distante das DeliDeluxes que andem aí e uns pontos acima das vulgares mercearias que ainda resistem, é especial. E o que a torna especial é o amor. Um amor que entusiasma quando falam dos produtos que foram escolhendo pelo país fora para trazer até nós. Um amor que participa nas nossas escolhas, se interessa, sugere, quer saber. Um amor que nos conta histórias sobre as pessoas que fizeram o que nós vamos comprar. Um amor que nos acolhe, nos cumprimenta com alegria, se lembra de nós. E, como tudo o que é feito com amor, é bem feito. Os produtos são bons, especiais, únicos. Como o queijo de cabra da Granja dos Moinhos, a muxama de atum, o bolo do caco ou o pão de Castro Verde ou outras tantas coisas que eu ainda nem provei, como a tarte de amêndoa, as anchovas,… Às vezes penso: e se fecha? Onde é que eu vou comprar [introduzir um dos supra-mencionados]? Começo a planear ir lá mais vezes porque não quero correr o risco de um dia ficar sem e sei que é sinal que já valeu a pena, que fizeram alguma diferença. Mas isto é poesia. No final, o que conta é vender mais do que se gasta. Contas. Verdadeiras contas de merceeiro. E o que eu espero, agora que fazem dois anos, é só que essas contas reflitam pelo menos algum do amor que se sente por ali.

24.4.12

Pesca (in)Sustentável

Quando compram peixe, pensam no que estão a comprar?

[Bacalhau, imagem de origem desconhecida]

Aqui têm um guia, feito pelo Oceanário de Lisboa, para as melhores (e piores) escolhas de peixe cá em Portugal.

23.4.12

Tiebele, Burkina Faso


[Cour Royale à Tiébélé, Rita Willaert, Tiebele, Burkina Faso]

Ontem, numa das minhas deambulações pelo Pinterest, descobri esta imagem da vila de Tiebele, no Burkina Faso.
A tribo Kassena (Gurunsi) vive nestas casas fortificadas, com frescos abstractos pintados pelas mulheres da tribo. As casas quadradas são para os casais e as redondas para os solteiros. O Cour Royale, que aparece na foto, é a residência do chefe da tribo.
Dizem que esta arquitectura, pela sua simplicidade e funcionalidade, serviu de inspiração ao Corbusier.
Não sei se é verdade, mas a vila parece mesmo bonita! Pena estar tão fora de mão :)

20.4.12

Sexta-feira


[Fotografia de Jungjin Lee integrada no projecto fotográfico "Shooting Israel"]


É sexta-feira. E para começarem bem o fim-de-semana, deixo-vos esta fotografia lindíssima da Sul-Coreana Jungjin Lee, pertencente à série "Israel".
Este fim-de-semana vou enfrentar três papões (o IRS, a lavagem adiada do meu carro e jogging de manhã cedo), um tabu e vou passear as minhas unhas cor-de-rosa pelo sítio do costume e por um sítio novo.
Também quero explorar este blog familiar, que descobri há uns dias.
E cozinhar coisas boas. Sem açúcar, claro! Continuo firme na minha resolução, mas hoje está a custar. Estou a tentar pensar nisto como a ressaca que acompanha qualquer rutura de hábitos. E anima-me a mudança que já estou a sentir: uma maior consciência do que como. As restrições fazem isso. No ano em que não comi carne sentia exatamente a mesma coisa: que comia melhor só pelo facto de ter de pensar no que ia comer antes de começar a fazê-lo. A teoria é velha e aplica-se à vida em geral, mas este "estar presente" no presente, quer seja nas escolhas ou noutra coisa qualquer, acorda mesmo qualquer coisa em nós.
Bom fim-de-semana!

19.4.12

{Source: everyday musings, Olivia James} 

 Esta fotografia neste post deixou-me com vontade de regressar aos sumos! Por enquanto, continuo a comer as minhas couves, feijão, estufados e papas ao pequeno-almoço e só timidamente é que vou olhando para os legumes de primavera. Mas acho que já chega! Afinal, mesmo não parecendo, já vamos com 1 mês de primavera! É tempo de comida leve e com cor. Saladas, fruta, sumos... E será que é este ano que me estreio nos sumos verdes (de vegetais)? Tenho de perceber se sabem tão mal quanto parecem.

18.4.12


Tenho em minha casa uma embalagem de cartão de sal Baleine, que já sobreviveu a muita coisa, incluindo 3 mudanças de casa. Ainda não vai sequer a meio. Acho que ainda há-de durar para conhecer os meus netos.
Comprei-a em Paris em 2001. Nem sequer usava sal fino na altura. Comprei-a porque a embalagem era bonita.
Não cozinhava um caracol, mas já adorava supermercados.

17.4.12

Um pequeno post só para dizer que fiquei tão entusiasmada e contente com um feedback positivo que tive à minha receita de arroz doce que desatei aos pulinhos no meio da minha sala quando li. A verdade é que, apesar de ter realmente ficado muito muito bom, estava com medo. Com medo que cozinhas e panelas diferentes utilizados por pessoas diferentes dessem resultados diferentes... e eu queria MESMO partilhar aquele arroz tão bom. Quando percebi que até o livro que eu considerava a bíblia da cozinha portuguesa, consegue ser impreciso, pouco explicado e ter receitas que simplesmente não funcionam, percebi que é fundamental que nos comecemos a sentar ao lado das nossas avós a olhar, olhar, a registar e perguntar tudo e fazer um esforço real para tentar recuperar, manter e divulgar esse patrimómio incrível que é a nossa gastronomia. Nem que seja de forma amadora, como assim, em formato blog. Espero que continuem a enviar-me os vossos comentários. Não têm de ser positivos. Só têm de ser interessados. Ou outras receitas boas de outras coisas que queiram partilhar com o mundo. :) Porque eu menti. Aquele não é o melhor arroz doce do mundo. Not yet. Mas há-de ser. E em conjunto - como as abstinências de açúcar - é mais fácil!

Sugar free

Terminada a chacina hepática desta páscoa, que culminou no domingo com um deboche de pão de ló com queijo e mini pastéis de nata, estamos oficialmente em regime. "Estamos" porque se é para sofrer enveredar pelo caminho da virtude , que seja com companhia! Durante os próximos 15 dias, sugar shall not enter my veins! Nem disfarçado. Ne-nhum! Até parece que estou a ouvir um pequeno coro de vozes indignadas. "Mas nenhum açúcar? Nenhum, nenhum?!! Também não é preciso ser fundamentalista. O melhor é comer tudo com moderação." Claro que este hino à moderação é rapidamente esquecido enquanto elevamos alegremente a nossa glucose a níveis capazes de envergonhar uma freira conventual. Com 3 quilos de amêndoas de chocolate porque é Páscoa. Com meio bolo rei com queijo da serra porque é Natal. Com 5 caipirinhas porque é sábado à noite. Com 3 fatias grossas de bolo com creme e corante em forma de cara do Noddy porque são os anos do sobrinho. E, honestamente, a mim parece-me muito bem! As tentações servem é para isso. E há lá alguma coisa melhor do que um bolo rei quentinho barrado com manteiga? Mas só a partir de dia 30. Agora preciso mesmo de um detox que faça relembrar o meu corpo de que há vida para além do chocolate. A única vez que fiz qualquer coisa parecida (também durante umas semanas) estava na faculdade e lembro-me perfeitamente que, quando voltei a comer açúcar - um queque no bar da faculdade - fiquei chocada com o quão doce o achei. O meu corpo tinha-se simplesmente desabituado àquela quantidade de açúcar. So far, so good (também só começou ontem! :) e, mesmo sem qualquer outra resolução, comecei ao mesmo tempo a alimentar-me melhor no resto. Umas coisas puxam as outras, suponho. Daqui a 15 dias - se sobreviver :) - conto-vos como foi. Até lá, saudações abstémias!

13.4.12

Where you invest your love, you invest your life


{Source: nepula, via woodennest}

Com esta chuvinha, apetece-me ficar em casa, alugar um filme infantil para ver ao lado da b. no sofá, fazer puzzles ou levar os lápis de cera e de cor, esferográficas, marcadores e folhas para a mesa redonda da sala e ficar ali a pintar ou a fazer desenhos e a ver a chuva cair, beber chá quente, comer flocos de aveia ou creme de millet ao pequeno-almoço, dormir até tarde e ficar com o pc no colo em cima de uma mantinha a ver blogs e passear na net...

O título deste post é a frase que está no início de um blog de imagens lindo, que a Joana me apresentou. Apetece ficar a andar, para cima e para baixo, percorrer devagarinho aquelas imagens todas e saborear sem pressas as sensações boas que elas trazem, os desejos de campo que elas acordam e sentir o coração a bater mais depressa (não é poético, é real!) ao ver aquelas casas, aquelas comidas.
E depois sair do pc e tentar levar um bocadinho daquela beleza para a minha vida.

Para o fim-de-semana, deixo-vos também um outro blog muito bonito que encontrei recentemente. Chama-se "The Yellow House" e é de uma rapariga que vivia numa casa amarela em Washinton DC e se mudou para o campo na Virginia. Fala de comida e de campo. De coisas que me interessam, portanto. Tem um design bonito (não adoram aquele logo com os tomates?) e podem pesquisar as receitas por ingrediente, o que é muito prático.

Bom fim-de-semana!

12.4.12

A minha irmã contava-me aqui há uns anos de umas freiras (beneditinas? carmelitas? .. bom, não sei bem) que, essencialmente, viviam do que a horta lhes dava e do que as pessoas lhes ofereciam. E diziam elas que quando estavam mesmo mesmo a precisar de qualquer coisa, Deus lhes trazia isso mesmo.
Imaginem um montão de freiras todas a rezar por arroz e... zás! Lá aparecia uma alma caridosa com arroz para lhes oferecer.
Eu imagino que as necessidades delas não eram demasiado específicas (“queremos 3 kg de arroz basmati semi-integral Tilda”), mas de uma forma ou de outra, lá se iam safando, e as coisas iam aparecendo.
Admito que, como forma de vida, é arriscado, mas quando optamos por prescindir de “precisar” de tudo, às vezes a vida surpreende-nos dando-nos aquilo que realmente precisávamos.
E muito de vez em quando, a vida é tão generosa que nem chegamos a precisar de nada… basta formular o desejo e pronto! :) Foi o caso. Vinha eu toda contente da beira baixa a sonhar com limões e aparece-me uma das minhas fofas sobrinhas à porta com um saco cheio deles.

Toda a gente sabe: “se a vida te dá limões, faz limonada”. Como eu não sou de ir contra ditados populares, limonada foi!*

sumo de limão, água fria x4, cubos de gelo. Umas folhas de hortelã (que cresce agora alegremente num canto da minha sala) esmagadas no almofariz com açúcar amarelo (o que forma uma pasta verdinha e MUITO aromática e funciona melhor do que esmagar a hortelã sozinha) e só um bocadinho de gengibre ralado fininho (só sumo e polpa, sem as fibras).

E à noite, com dois dedos de vodka, também fica óptimo! Para mim, rivaliza com qualquer mojito ou caipirinha!

* inspirada por esta

10.4.12

Um passeio pela beira (baixa) interior

Com a crise instalada, passeia-se menos por aqui. Ou melhor, passeia-se na mesma, mas mais a pé do que de carro.
Mas, este fim-de-semana, decididos a gastar um voucher-prenda-de-Natal, ligámos para a Casa de Belgais e lá fomos rumo à Beira Baixa, A1, A23, oliveiras, ovelhas, montes e vales fora até chegarmos a Castelo Branco.


[Roupa a secar numa praça e limoeiro sobre parede amarela, Castelo Branco, CR]


Castelo Branco é uma cidade pequena com aquilo que uma cidade pequena deve ter: uma avenida bonita com árvores frondosas e casas abençoadas pela a patine do tempo, um liceu bonito e austero, um castelo com uma vista para passear o olhar, pelo menos uma bela praça e baloiços de madeira decentes, para ajudar na difícil tarefa de crescer numa cidade do interior.
Castelo Branco é também uma cidade cheia de limoeiros, que nos aligeiram o respeito pela propriedade privada - se ninguém dá conta de tanto limão, porque não podemos salvá-los do destino triste de apodrecerem sozinhos nas árvores?


[Café Beirão na Rua da Sé, Castelo Branco, CR]
Os bairros mais antigos são verdadeiramente "antigos". Com ruas íngremes e estreitas, febras a grelhar na rua, roupa a secar em qualquer sítio onde chegue o sol, restos de muralhas. Com pátios elevados sobre muros altos de pedra, onde se percebem apenas as copas das árvores (invariavelmente limoeiros e/ou laranjeiras e/ou oliveiras) e os limites da vegetação no topo do muro.
Um dia vou querer um jardim assim. Suspenso sobre as No meio das ruas de Lisboa...

[Logradouro na encosta do castelo e árvore à beira da estrada, Castelo Branco, CR]

Íamos com indicações precisas (Palitão, Museu Cargaleiro e Jardim do Paço Episcopal) que não desiludiram. Se a vida me ensinou alguma coisa é que: locals know better.


[Entrada do Jardim do Paço Episcopal e vista de um quintal elevado no bairro antigo, Castelo Branco, CR]

Comida da beira não se intimida com caminhadas para "fazer a digestão". E assim, depois do passeio, ainda com as carrilhadas de porco preto com feijão, migas, arroz e couve entaladas sob o cinto de segurança, seguimos para Belgais.


[Casa de Belgais vista da Estrada, Belgais, CR]

Belgais, que é bem mais bonita do que eu a imaginava, está isolada por vários quilómetros de vegetação mediterrânica, alternando extensos campos de oliveiras com denso maqui de rosmaninho (deste), giestas e esteva. Quando se põe o primeiro pé fora do carro, a primeira coisa que se repara é a terra. De um tom "terra de siena" queimado, bonito, como se tivessem pegado numa terra qualquer castanha pálida e lhe tivessem propositadamente aumentado a saturação da cor para produzir espantados "OH!s e AH!s".


[Vista do quarto e entrada da Casa da Piscina, Belgais, CR]

As casas são bonitas, quer pela decoração (assumidamente campestre e simples, de bom gosto mas despretensiosa), quer pela arquitectura (de um só piso, com divisões grandes e pátios interiores encantadores). Há um cão (o Scott) e vários gatos, uma grande piscina (agora vazia), bicicletas estragadas, uma cozinha de sonho, um lago com pequenos peixes vermelhos, rãs e nenúfares lilazes e muitos pássaros cujo nome um dia hei-de conhecer. O clima é de paz e, neste fim-de-semana, foi-o de uma forma muito particular.


[Casa Principal e carroça em frente, Belgais, CR]

É que, por coincidência, e para minha surpresa, estava a haver um retiro promovido pelo IMP (que eu adoro e onde almoço muitas vezes) exactamente em Belgais. E assim, à paz do sítio, juntou-se uma sessão de meditação e comidinha super boa e super saudável! Creme de millet ao pequeno-almoço e chazinho quente disponível durante todo o dia... could life get any better?


[Vegetação à beira da estrada e árvore em frente à Casa Principal, Belgais, CR]

No domingo foi altura de regressar. No caminho para Lisboa, fomos conhecer Constância, uma vilazinha encantadora na confluência dos rios Tejo e Zêzere. Almoçámos num restaurante delicioso e bonito e passeámos pela margem das águas negras e brilhantes do rio Tejo e pela vila, enfeitada de flores de papel coloridas para a Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem.


[Casas típicas de Constância e Vista sobre o Rio Tejo, Constância, CR]

Depois voltámos para a Lisboa. Para a inevitável ressaca de um fim-de-semana tão bom, que combatemos com uma grande taça de arroz doce! :)

(Podem ver as imagens ampliadas, clicando em cima das fotografias).

9.4.12

livros e pastéis de nata

A aversão que tenho a livros com capas feias é na mesma proporção do amor que tenho a livros com capas bonitas.
É uma convergência perfeita de duas manifestações artísticas: a literária e a gráfica/plástica e, no meio do deserto de capas manhosas que pululam como cogumelos nas prateleiras mais visíveis das nossas livrarias, qualquer capa bonita deve ser celebrada. Como esta que, ao vivo (grande, capa dura, bom papel) é ainda mais bonita.

[1Q84, Haruki Murakami, in FNAC Chiado]

Neste momento saltito entre 3 livros. Este (uma escrita maravilhosa, solta e honesta) sugerido pela Diana, em versão ePub, durante o dia. Este para antes de dormir. E este (do qual falarei brevemente, pela certa), sempre que o apanho por perto.

E os nossos pastéis de nata, sempe a marcar pontos! :)

6.4.12

O melhor Arroz Doce do Mundo!

Não é bonito dizer que se encontrou uma receita ma-ra-vi-lho-sa de arroz doce e depois ficar quietinha, caladinha, desaparecer... e deixar os amantes de arroz doce assim, aguados, à espera. As minhas desculpas, mas isto da vida é tramado... que às vezes só se quer escrever e depois só se quer não-escrever e andamos assim, a pensar se é melhorar contrariar as vontades ou olhar para elas como sinais e caminhos para outras coisas mais.

Bom, então sem mais demoras, passemos então ao predito arroz doce. Vou organizar este post em perguntas e respostas. Perguntas que normalmente surgem quando se pensa em como fazer um arroz doce. E as respostas que encontrei quando fiz para mim mesma essas perguntas.

Que arroz utilizar?
Qualquer arroz de grão curto. Pode ser arborio, carnaroli (os normalmente utilizados nos risottos) se quiserem um arroz doce mais consistente ou simplesmente arroz carolino. Eu utilizo arroz carolino, mas o importante é que seja um arroz curto.*

Lavar ou não lavar?
O arroz não deve ser lavado, porque isso vai-lhe retirar amido (leia-se cremosidade). Por outro lado, a água evita que os grãos se colem uns aos outros dentro do tacho (o que pode ser muito irritante!) Para contornar isto, cubro o arroz com água (pouquinha! só o suficiente para molhar todo o arroz), deixo de molho uns 5 minutos (não muito mais) enquanto o leite aquece e depois coloco arroz e água lá para dentro. Isso vai deixar os grãos bem separados, mas mantendo o amido na mistura. Um extra: demolhar o arroz antes de o cozer ajuda a desdobrar o ácido fítico, tornando muito mais fácil a absorção de diferentes oligoelementos, particularmente o zinco.

Cozer em água primeiro?
Os puristas das artes gastronómicas alegam que sempre que se junta água, se está a retirar sabor. Eu não vou tão longe e normalmente ignoro os caldos, utilizo aguinha em todos os meus cozinhados e acho que ficam óptimos. Mas quando experimentei fazer arroz doce "abrindo-o" primeiro em água, pareceu-me que o sabor ficava mais brando e a textura um pouco menos cremosa. Por isso, eu cozo-o apenas em leite para que toda a hidratação do grão seja feita com algo que lhe dá sabor e cremosidade.

Que leite?
As maioria das receitas que encontrei tinham uma proporção pequena de leite. Como não cozo em água primeiro e gosto do arroz doce bem macio, utilizo uma quantidade de leite generosa. O resultado é um arroz doce muito macio e extra cremoso! Yummy! Quanto ao tipo, sempre leite gordo. E fresco (daquele da Vigor, que dura menos tempo e sabe mais a leite!)

E que mais?
Gemas? Manteiga? Casca de limão? O meu arroz doce só leva casca de limão. Cortada bem fininha de modo a que não fique com aquela pele branca, que é amarga.
Manteiga não ponho, mas não experimentei pôr. Na minha cabeça manteiga não rima com arroz doce e por isso deixei de lado. Aceitam-se reclamações :)
E quanto à gema no final? Honestamente para mim é mais uma questão estética do que outra coisa. O sabor não melhora o sucifiente para eu achar que vale a pena gastar uma gema (ou mais). Mas fica bonito, com uma cor mais quentinha e convidativa. So it's up to you!

Receita
300 g de arroz carolino
2l de leite gordo fresco
casca de 1 limão, fininha, sem a parte branca
270 g de açucar (ou mais, se prefirem bem doce)
1 pau de canela canela, para polvilhar no final

Colocar o leite num tacho pesado com a casca do limão, o pau de canela e o açucar e aquecer. Quando o leite estiver bem quente, colocar o arroz numa taça e juntar água (apenas o suficiente para molhar todo o arroz) e demolhar durante uns 5 minutos. Juntar o arroz e a água ao leite e deixar cozer em lume brando, mexendo regularmente, até o leite evaporar e o arroz doce ficar com a consistência desejada (cremoso, sem ser demasiado seco).
Deitar numa taça baixa, retirar as cascas de limão e polvilhar de canela.

Fico a aguardar feedback! Estou ansiosa por saber se gostaram do resultado e se têm sugestões!
Boa páscoa e bons cozinhados!

*A razão explicada muito simplesmente: o arroz é constituído primariamente por amido, que contém um polímero de glucose chamado amilose. Ora, o amido a alta temperatura gelatiniza (o que lhe confere cremosidade), mas a amilose faz com que, quando arrefecido, o arroz fique mais rijo e seco (chama-se a isto retrogradação do amido). E nós não queremos isso! Por isso devemos utilizar um arroz pouco rico em amilose, que é o caso dos arrozes curtos.

5.4.12

Uma coisa que não consigo evitar fazer quando vou ao supermercado é olhar para as compras das outras pessoas na caixa. Há de todos os tipos e normalmente (por mais que eu goste que a realidade destrua preconceitos) são bastante previsíveis. Por exemplo: os miúdos universitários, de 20 e picos anos, são seres tendencialmente em constante estado de desidratação (esforço intelectual + desporto + álcool?) e, assim, as compras deles, mais do que as do cidadão comum, têm sempre muuuitos líquidos: cerveja, leite, refrigerantes e iogurtes (líquidos, claro!) No meio de refeições congelada e bananas. Mas nunca, NUNCA, verão um mancebo de 20 e poucos anos comprar água engarrafada. NUNCA. Se virem, é para a irmã que vive com ele. Ou para a namorada. E, de certeza que deu discussão.
As velhinhas, por sua vez, adoram fiambre. Porque acham que os netos adoram? Não sei.
Alguém devia escrever um livro sobre o assunto.
No meu longo e interrompido blog, a consistência não é o meu forte. Mas a verdade é que, dentro da insconsistência, consistentemente regresso cá.

26.1.12






































[Detalhe de "Blossoming Almond Tree, Vincent Van Gogh", 1890]

23.1.12

Este fim-de-semana...

Celebrei 2 aniversários + 1 muito especial, comi muito (e) bem, passei bons momentos com amigos, relaxei a ler revistas no café, ouvi "O Pedro e o Lobo", que é actualmente o eleito no cd do carro. Mas o mais surpreendente foi ter passado umas 2 horitas a... colorir. Com os maravilhosos giotto turbo maxi da B. Não sei porque é uma actividade tão ignorada pelos adultos. Induz estados meditativos, promove o convívio intergeracional, é relaxante, bonito e barato. E de certeza que com tanta cor é um óptimo anti-depressivo... o que nos tempos de crise que atravessamos... :)
Uma boa semana! É a última de Janeiro e o ano a começar tão bem...


{Foto: kokblog}

19.1.12

AMARELO

Quando era pequena, detestava-o. Achava-o enjoativo e de mau gosto. Agora acho-o luminoso, energético e estimulante.

15.1.12

Que bem que ficavam no campo, a passear pela horta a apanhar marmelos, maçãs e a pisar a terra ainda húmida com o orvalho....

10.1.12

tcham tcham tcham tcham....

Senhoras e senhores, meninas e meninos... Ao fim de longa e deliciosa pesquisa e umas tantas tentativas, acho que temos um winner. Aquela que eu considero a receita perfeita de arroz doce foi encontrada e o arroz elogiado por todos os que o comeram, incluindo uma pessoa cuja sobremesa favorita é... exactamente arroz doce. Muito em breve a receita, com explicações e relato da saga.

5.1.12

já não vou ao teatro há anos. Na realidade, acho que se contam pelos dedos das duas mãos as vezes que fui ao teatro e pelos dedos de uma as vezes que gostei. mas desta vez estou com vontade de ir ver isto. Está no Teatro Aberto até vinte e tal de Fevereiro. Depois digo se vale a pena. Mas estou com fé.

3.1.12

compras bonitas

ovos bio, amêndoa c/ pele, lentilha coral, couve-flor, bróculos, chá vermelho, gengibre, coentros e manjericão, feta, feijão mung, harissa, cheddar, natas e tomate seco.

Parece poesia...

2.1.12

A vida vai-nos moldando devagarinho. Vai-nos moldando segundo os desígnios da Vida (que é como quem diz: porque sim), de Deus ou da natural evolução de cada indivíduo face à sua experiência de vida (consoante as teorias, crenças ou descrenças de cada um), mas quase nunca segundos os nossos próprios desígnios. Nós não decidimos grande coisa. E ainda bem.

28.12.11

nhac nhac

ontem experimentei a sensação de comer (tentar, pelo menos) meia galinha a saber a borracha. Já tinha ouvido relatos, mas nada me preparou para aquilo. A perna ficou inteira, à falta de motoserra que a conseguisse cortar, e o peito foi humildemente dividido e misturado com os condutos para disfarçar. Enfim, uma grande desolação. Andarem-se a matar bichos (e este, em particular, que foi morto especialmente para mim) para isto é uma desonra quer para o bicho, quer para o nosso palato. Paz à sua alma. Se calhar está na altura de abraçar decisivamente as lentilhas e o tofu e deixar a carne para quem a saiba respeitar.

27.12.11

2011

foi um ano de reencontros e mudanças. De crise. De amor. De ir a Istambul e a à Califórnia. De trocar o café pelo chá, o jogging pelo pilates, a canon pelo iphone. De ver séries, muitas séries em streaming. De almoços de lancheira e jantares goeses. De cozinhar muito e com menos caos. De começar a sentir-me em casa no campo. De apanhar marmelos, maçãs, clementinas, laranjas, diospiros, couves, lúcia-lima e avelãs. De fazer crumbles, arroz-doce e muitos flocos de aveia (em variações infinitas, todas boas) e de aprender a fazer leite-creme sem talhar. E de receber estas duas belezas, que vão colorir 2012.

8.12.11

die Weiße Rose

"I read the names of the White Rose. I had never heard of any of them. But as i read those names an inexpressible hope leaped up in me... and I was not the only one who felt this way... This hope - which made it possible for us to go on living - was not just the hope for our survival... It helped so many that still had to die: even they could die with hope... It was like a secret light that expanded over the land: it was joy. I remember one day I went out on the street to meet a friend and he said: "Don't look so radiant, they'll arrest you!"

We didn't have much of a chance to survive, but that was not what it was about. It wasn't survival. It was life itself that was speaking to us through the death of the Scholls and their companions... You can live without owning anything. But you can't live without having something ahead of you, ahead of you in the sense of something inside of you. You can't live without hope.
"

The impact of the White Rose cannot be measured in tyrants destroyed, regimes overthrown, justice restored. A scale with another dimension is needed, and then their significance is deeper; it goes even beyond the Third Reich, beyond Germany: if people like those who formed the White Rose can exist, believe as they believed, act as they acted, maybe it means that this weary, corrupted, and extremely endangered species we belong to has the right to survive, and to keep on trying.

[in Sophie Scholl and the White Rose, Annette Dumbach & Jud Newborn]

4.11.11

peanut butter - jelly

Hoje provei pela primeira vez a famossíssima e americaníssima combinação. Usei manteiga de amendoim pura, sem adição de nada e geleia (de marmelo) numa broa que trouxe este fim-de-semana lá de cima. Fiquei fã. Parece-me que vai ser o meu lanche de predilecção este outono-inverno.

21.10.11

Celebrar com cor


[Buganvília cor-de-rosa num dos muitos bairros bonitos de LA, cr, Abril.2011]

Coisas boas...

A arqueolojista. Um site novo sobre pequenas pérolas de comércio tradicional de Lisboa.

Ter encontrado pela primeira vez em Lisboa (após muita, muita procura!) pasta de harissa e cuscuz israelita. Aqui.

Esta exposição, que não é mesmo de perder. Não sei como é que durante tantos anos não gostei de naturezas mortas. Agora penso: comida? O que há de melhor para pintar? :)

O livro "Tartine Bread", que comecei finalmente a ler e que é um assombro. Por me ter deixado em pulgas com vontade de fazer pão, quando nunca antes tinha realmente tido vontade de o fazer. Agora é tudo em que penso.

Ter tido uma manhã para lá de stressante, mas que acabou bem, e ir comemorar isso ao meu goes favorito que além de ser bom, é baratinho. Perdi o amor aos restaurantes caros. Juro que sim. à excepção de um ou outro, com os quais apesar de tudo, vou sonhando. Talvez como prenda de Natal :)

Para compensar, pastelarias e cafés, vou a todos. E este fim-de-semana quero mesmo ir conhecer esta e este.

Uma exposição do Júlio Resende na Galeria S. Roque.

...e uma menos boa

Só ontem, por a B. me ter chamado a atenção para isso, reparei quão tag'adas estão as paredes de Lisboa. Feio. Mesmo feio. Mesmo que os nossos olhos já nem reparem por estarem mais do que habituados. Eu gosto muito de street art. mas isto não é street arte. É só feio.

Bom fim-de-semana!

13.10.11

a sonhar com...

esta imagem. Há dois dias que não páro de olhar para ela. Não há outra estação que seja tão reconfortante como o Outono...
{encontrado aqui}

"An elegant picnic in a park, with piles of cozy blankets, and delicious cakes and champagne. Rich colors and textures, like ochre and gold, tweed and silk, plus polished silver pieces (borrowed from aunts and godmothers, perhaps) and gorgeous fall flowers."
a música nas minha aulas de pilates é sempre tão boa que às vezes não sei se quero chorar do esforço ou de emoção.
hoje tivémos banda sonora do "cinema paradiso". Vim esticadinha e comovida.

12.10.11

sobre o desporto e a falta de vontade para o fazer

Que o desporto fortalece o cérebro nós já sabíamos. Mas que o exercício forçado pode fortalecê-lo ainda mais do que só dar uma corridinha enquanto nos apetece e sabe bem é que é novidade.
Por uma feliz coincidência, descubro isto no dia em que consegui o impensável: levantar-me às 7 da manhã e ir correr. Corri só uns 15 minutos que de manhã a mente é fraca e a motivação mais pobre, mas com estas novas notícias vou ter uma razão a mais para pôr a preguiça de lado e pôr as pernas (e o cérebro) a mexer.

7.10.11

flocos de aveia 33



[Publicidade à Farinha 33 dos anos 50. Retirado do livro "Portugal Século XX, Crónica em Imagens, 1950-1960" de Joaquim Vieira.] {visto aqui}

Ontem a b. tinha-me pedido para hoje ao pequeno-almoço fazer farinha 33. Como não havia lá em casa mas precisava mesmo assim de uma boa motivação para a conseguir levantar da cama, fiz uma experiência - maravilhosa - da qual fiquei imediatamente fã:

FLOCOS DE AVEIA DE CHOCOLATE!

Não sei como ainda não me tinha lembrado de experimentar tal coisa... Suponho que é verdade o que dizem, que a necessidade faz um engenho! É ! Até parece que já estou a ver as vossas caras de espanto, perante tal rasgo de genialidade! :)

E então reza assim:
Misturam-se os flocos de aveia finos numa mistura de água e leite (50/50) com o dobro do volume dos flocos. Juntam-se quadradinhos de chocolate preto e deixa-se cozer. No final serve-se salpicado com avelãs tostadas picadas, uma toque de açúcar puro de cana (grosso) e fruta. Eu só tinha mirtilos, mas fiquei a sonhar com framboesas. Ou pêra... Mmmm....

Experimentem. Mas principalmente, dêem aos vossos filhos para experimentar!
Com um bocado de sorte, nunca mais têm de gastar dinheiro em chocapic :)

(Para referência, para 3 pessoas usei 1,5 flocos de aveia finos e 3 quadradinhos de chocolate lindt 70% para um sabor a chocolate nada tímido)

links e sugestões para o fim-de-semana

De Lisboa.
Abriu no mês passado o Centro de Artes Culinárias, no Mercado de Santa Clara. O site ainda está muito pobrezinho, mas a abertura de um sítio assim já me deixa animada. Neste momento, está com a exposição Aprestos de Cozinha, que me está a deixar com água na boca e que tenciono visitar este fim-de-semana.

Um blog "que se destina a aplaudir, apupar, acusar, propor e dissertar sobre tudo quanto se passe de bom e de mau na nossa capital".
A seguir atentamente.

Boas notícias. A miosótis agora tem peixe fresco! Recebem às terças, sextas e sábados de pequenos pescadores da zona de Sesimbra (Setúbal?) e na terça-feira, quando lá fui, tinha tudo muito bom aspecto. E o melhor é que 50% do dinheiro das vendas vai directamente para o pescador. Não é a exploração do custume, portanto.

Da comida
A tradição de picnicar em Portugal andou esquecida durante as últimas décadas. Mas agora, passado tempo suficiente para as pessoas se reconciliarem com a imagem paralizante de grandes tachos de arroz de tomate com salsichas e vinho tinto nos bigodes orgulhosos pelas matas do nosso país, os picnics parece-me que estão a voltar. E ainda bem! É que a comida sabe melhor assim, ao ar livre, em sítios bonitos e abertos, onde os adultos podem respirar e sentir a boa energia da natureza e onde os 90dB das crianças já não despertam terror, mas amor. E toda a gente se sente bem e feliz e de barriguinha cheia. Não soa bem? Pois é... é porque é mesmo bom.
E no feríado de quarta-feira fomos nós picnicar para Sintra. Depois de alguma dificuldade a escolher a ementa, experimentei esta salada, um cheesecake salgado e estes queques (uns dos favoritos lá em casa, perfeitos para gastar claras que sobram) e correu muito bem! Agora é pensar e no próximo sítio e na próxima ementa.

Um vídeo/receita da talentosa dupla de manos Basto Ferreira!

Da internet e do mundo
Um livro (se carregarem na seta, podem ver as outras páginas) muito bonito para as crianças sobre a natureza em cada uma das 4 estações do ano. Está em francês, mas o texto não é tão importante como as imagens. À venda na loja do Museu Berardo. Ou na net, claro!

Um blog inteiro de imagens só com o tema "Mulheres a ler". Muito bonito!

Caro. mas lindo. Para a minha próxima casa, que vai ser grande e com quintal. :)

A pena que eu tenho que esta empresa de papelaria personalizada (stationary. Estou a tentar evitar os estrangeirismos, mas às vezes não é fácil) não envie material para a Europa. Ai...

Tem muito drama, miséria, infelicidade, vidas difíceis, promiscuidade...enfim... todos os ingredientes clássicos de um filme português. Mas, para variar, estou com vontade de ir ver o "Sangue do meu Sangue" do João Canijo. Vamos ver se é mesmo um must. Ou simplesmente um must never insist on portuguese cinema again.

Bom fim-de-semana!

ps - já testei novamente o arroz doce, com as vossas sugestões. Notícias em breve.

6.10.11

Here's to Steve Jobs.

"Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do."

3.10.11

Lisboa


Com uma imagem de telhados vermelhos, prédios coloridos e céu, mar e rio azuis em mente, esta vista de Lisboa, serena, pacificada, quase monocromática apanhou-me de surpresa. Mas é verdade, Lisboa também tem dias assim, em que a luz e o brilho contam mais do que a cor. E agora, que o verão está quase a ir embora e eu vou finalmente começar a ir à praia {*smile}, vai ser mais fácil, ao passar a ponte no regresso, ver a cidade assim. Neste sossego tão bonito.
Esta fotografia pertence à série "Horizons" deste senhor. Vale a pena espreitar!

30.9.11

A capa é tão linda que não podia deixar de a pôr aqui



{retirado daqui, um arquivo de capas de livros. Niice!)

links e sugestões para o fim-de-semana

Depois de descobrir um autêntico paraíso de luz e sol num cantinho da minha sala, uma UCI que consegue trazer de volta à vida as mais moribundas plantinhas, só me faltam mesmo estes vasos liiiiiiiiiindos para eu perder a cabeça e fazer finalmente uma horta. ( ver tb aqui)

Um novo portal de doações. Ainda é cedo para perceber se vai funcionar bem, mas a ideia já se impunha! Ainda há um mês atrás me teria dado tanto jeito...

É tão lindinho este candeeiro, com toda aquela madeira com aquele fio azul...

um mega bolo de anos, sem açúcar e vegan. Se for mesmo delicioso, já viram a revolução que isto pode significar??

Adoro esta coluna de diagnósticos do New York Times: Think like a doctor. Expõem um problema médico e pedem diagnósticos aos leitores. Claro que normalmente são problemas estranhíssimos e muitas vezes só 1 ou 2 leitores acertam. Mas apesar de eu não perceber nada, é muito divertido ler os problemas e depois ler a resposta certa. Uma espécie de Dr. House da imprensa escrita. Embora eu nunca tenha visto o Dr. House...

E por falar em problemas estranhíssimos, comecei hoje o novo livro do Oliver Sacks. Desta vez é sobre a visão. Fascinante e viciante, como todos os outros!

Mais uma razão para continuar com o meu pilates e voltar à corrida!

Este domingo é dia de ir ao CCB. Ver a exposição retrospectiva do Pedro Cabrita Reis "One after another, a few silent steps", no Museu Berardo que está mesmo no fim e ver esta, do Vik Munoz, que acabou de começar.

Ou ir ao Museu de História Natural ver esta exposição, que começa hoje e que é uma espécie de world press photo da vida selvagem. Deve ser muito gira, com fotografias incríveis e muito children-friendly.

E, definitivamente, repetir o meu arroz doce utilizando as dicas óptimas que me deram. É tão enriquecedor poder ter acesso assim ao conhecimento e experiência dos outros! viva a internet! E muito obrigada!! Bom fim-de-semana!

27.9.11

Arroz Doce

Um dos meus objectivos para 2011 era aprender a fazer um bom arroz doce. Mas entretanto evoluiu para aprender a fazer o melhor arroz doce do mundo. À partida é um objectivo ousado e, no mínimo, subjectivo, mas eu aceitarei qualquer resultado que: 1) respeite a tradição portuguesa de o fazer (ou seja, nada de vagens de baunilha lá para dentro!) e 2) seja o melhor arroz doce que eu e as pessoas que o provem já tenham comido. Essa afirmação tem de ser clara e comprovada por pelo menos duas testemunhas oculares.

E pronto, definidos os termos de referência, iniciemos.

Comecei por uma receita base:

Ingredientes: 750ml de leite (vigor gordo. A minha mãe dizia-me sempre: para as sobremesas, sempre leite gordo e fresco); 250g de arroz carolino ou outro arroz redondo; 250g de açúcar; 3 gemas de ovos; casca de limão q.b; 1 pau de canela; 1 pitada de sal.

Preparação: Aquecer o leite e quando está na iminência de ferver, juntar o arroz, o açúcar, o sal, a casca de limão e o pau de canela. Mexer, baixar o lume, tapar o tacho e deixear ferver em lume brando até o leite evaporar e o arroz estar cozido. Retirar do lume. Deixar arrefecer uns 5 minutos e juntar 3 gemas batidas, mexendo bem para incorporar as gemas no arroz. Levar ao lume em lume muito brando mais uns 3 minutos, mexendo sempre. Retirar do lume, pôr numa travessa e decorar com canela em pó.

O arroz doce foi elogiado e repetido. Na realidade, acabou no dia em que o fiz. Mas eu ando à procura da receita per-fei-ta e, para chegar lá, acho que há melhoramentos a fazer. Para a próxima vez estas são as coisas que vou fazer diferente:

1) Aumentar a quantidade de leite. Cozi tudo em lume branco e mesmo assim tive de adicionar leite no final. Acho que 1l de leite para 250g de arroz carolino é uma proporção mais honesta. Mais leite ainda se usarem um arroz mais denso, carnaroli ou arborio, por exemplo.

2) Colocar o açúcar só a meio da cozedura. Uma vez ouvi, num Mastechef Australia onde estavam a fazer rice pudding (arroz doce), que o açúcar aumenta muito o tempo de cozedura. Não sei se é verdade ou não, mas o meu arroz doce ficou ligeiramente duro no interior. À partida um arroz doce al dente não é uma coisa que me desagrade, sempre é uma textura mais interessante do que uma simples papa, mas enquanto no al dente há uma textura uniforme (todo o grão de arroz está cozido a, imaginemos, 70%), no caso do meu arroz era mais como se 90% do grão de arroz estivesse cozido e 10% (a parte mais interior) estivesse cru. O que não é bem a mesma coisa.

3) Vou diminuir o açúcar uns 30 ou 40 g, indo contra a opinião de todos os que provaram o arroz. Estava óptimo, mas tenho para comigo que o açúcar é como a temperatura do banho: enquanto continuar a ser bom, é ir baixando.

4) Acho que um dos motivos porque a sobremesa ficou tão boa foi a quantidade de limão que pus. A verdade é que eu sou uma fã de limão. É um daqueles ingredientes que, tivesse eu de me privar de tudo excepto de 3 ingredientes, provavelmente ficaria comigo. E o limão nas sobremesas tem o mérito extra de cortar o doce e impedir que se tornem enjoativas (o que também nos permite consumir mais quantidade :) Aqui utilizei a casca de 1 limão médio (bem aproveitadinha!). A única alteração para a próxima vez é que vou experimentar ralar finamente a casca para que se possa comer com o arroz doce, em vez de pôr as cascas inteiras e no fim ter de andar a apanhá-las do arroz quente para deitar no lixo. Veremos se faz muita diferença em termos de sabor.

Daqui a uns dias vou fazer novamente o arroz doce, com estas alterações, e digo-vos como ficou. Também há quem “abra” o arroz, cozendo-o parcialmente em água antes de colocar o leite. E vocês, como o fazem? As vossas mães, avós? Se quiserem contribuir com ideias, serão todas benvindas!

23.9.11

Júlio Resende

É um homem feliz?

"Sou, naturalmente que é uma felicidade que conhece o peso da infelicidade. Mas sou teimosamente feliz."




Uma entrevista bonita e cheia de sabedoria ao Júlio Resende, que morreu ontem e que eu, como acontece frequentemente, "conheci" demasiado tarde.

Flocos de aveia

Lá em casa somos doidos por flocos de aveia. Desde pequena estou habituada a comê-los ao pequeno-almoço de vez em quando, mas só depois de ir à Califórnia este ano é que comer flocos de aveia tomou toda uma nova dimensão.

É que os americanos não gostam de coisas aborrecidas. E os pobres flocos de aveia da minha infância, não é que não fossem bons… mas eram um pouco aborrecidos. Felizmente o conceito de “comida aborrecida” não existia na minha infância e por isso assim vivia eu, contente e saudável, com os meus flocos de aveia saborosos, mas pálidos, cozidos em leite e polvilhados por uma nuvem leve de açúcar branco.

Tudo isso mudou quando, numa pequena vila (linda) nos arredores de Monterey, chamada Pacific Grove, num pequeno inn familiar e acolhedor, onde éramos tratados a biscoitos ao lanche, chá quentinho e café à noite, me serviram pela primeira vez ao pequeno-almoço um prato de flocos de aveia. Luzes e cores e foguetes barulhentos e festivos. Nada menos do que uma epifania. Era do que se tratava.

Aí eu percebi que os americanos trata os seus flocos de aveia como os japoneses tratam o chá. Como um autêntico ritual. Os flocos de aveia são cozidos no dobro do seu volume de água com uma pitada de sal (eu cozo numa mistura de água e leite. Acho que ficam ainda mais deliciosos). E é assim que vêm para a mesa. Nus e imaculados. O resto fazemos nós. Na mesa há uma série de pequenas tacinhas com tudo o que é preciso para fazer um pequeno almoço completo num único prato de flocos: Leite ou iogurte batido, fruta fresca, Fruta seca dura (nuts), Açúcar amarelo grosso (porque é bommm sentir o crunch dos grãos) e Mel ou Xarope de Ácer (Maple Syrup). E um a um, com a excitação suspensa e tranquila de quem sabe que a espera por algo bom torna o bom melhor, adicionam-se os ingredientes, um a um, transformando cada simples ingrediente em algo extraordinário, numa explosão de cores e texturas e sabores.

Já o Aristóteles se lembrou de dizer que o todo é maior do que a soma das partes. Um sábio, o homem. Será que ele também comia flocos de aveia?

12.9.11

Série precisa-se

Acabei ontem de ver a 3ª série da Nurse Jackie. A 4ª série só sai para o ano. O que é que me aconselham até lá?

7.9.11

L.A.R.S (links para aguentar o resto da semana)

As quartas-feiras são duras. É o único dia em que o fim-de-semana simultaneamente já está longe e ainda está longe. Por isso, para vos ajudar a aguentar mais dois dias de trabalho, aqui ficam alguns links.

O artista Ursus Wehrli decidiu arrumar o mundo e este foi o resultado. É a prenda ideal para um amigo neat-freak! :)

A Denegro mudou-se para a Rua de S. Bento. Tem uma loja linda e um bolo de ginja que é nada mais nada menos que o meu bolo de chocolate preferido. (Mas ainda me falta experimentar os outros cinco..). Têm em vários tamanhos, incluindo um mais pequeno, perfeito, que chamam tête-à-tête (ou mini-mini, como diz a b.) e que deu para alegrar 3 almas durante 2 jantares! :)

Comprei este livro incrível e fiquei com vontade de ir a Paris só para ir comer... e aproveitar para passar em Londres comprar queijo aqui!

O d. apresentou-me este escultor recentemente num livro que andava lá por casa e fiquei verdadeiramente impressionada. Gostava muito de ver qualquer coisa dele ao vivo. Esta, por exemplo. Ou esta. Esta também é impresionante. Já o conheciam?

Actualizei a lista lateral com mais uns blogs de comida: Island menu, My new roots, My cooking diary, Zine de Pão e What Katie Ate. Dois da Austrália, dois da Escandinávia e um dos EUA. Todos muito bons.

E finalmente, ao fim de 9 meses a sentir o corpo gradualmente a empenar, increvi-me no GCP e comecei a ter aulas de yoga e de pilates. Já só falta voltar à corrida para ser uma mulher feliz.

6.9.11

Pão


Tartine Bread from 4SP Films on Vimeo.

Este vídeo é uma inspiração para todas as pessoas que gostam de pão. Eu tive a sorte de ter estado na Tartine em Maio e, embora já não tenha conseguido provar o pão (já não havia ou já não serviam à hora a que apareci), deu para comer outra coisa igualmente deliciosa e sentir o ambiente. Vibrante, familiar e cool ao mesmo tempo e com um cheirinho que dava vontade de ficar lá a comer, a conversar, a ler ou a beber chá para sempre. Mas de portas fechadas, que ter um pão memorável infelizmente também cria filas memoráveis!

Estou cada vez mais sensível a pessoas que se dedicam assim às coisas. Que põem a alma e o coração no mínimo que fazem, como dizia o Nando. E como eu, acho que mais gente. Após algumas décadas de faster, bigger, more, andamos se calhar todos a precisar de um mundo slower, better, less.

Também comprei o livro. Ainda não o li (ando a despachar com grande entusiasmo este) mas é lindo! Como o pão.

Deixo-vos também um blog, totalmente dedicado a pão, escrito por um jovem português imigrado na Suécia e que é uma boa companhia para todos aqueles que tenham vontade de começar a fazer pão "à séria".

2.9.11

As minhas férias podiam ser resumidas...

...a estas duas imagens:

[cr, Barbeita, Viseu]


[cr, Barbeita, Viseu]

e a "apanhar coisas": Ameixas, pêras, ovos na capoeira, pinhões do chão, lúcia-lima, sálvia, amoras, alergias memoráveis, maçãs, a b. que saltava para a piscina, pó, sovas na canasta, mosquitos no quarto, vespas na piscina, sol .

Cada vez gosto mais do campo. Deve ser a velhice.

31.8.11

Plat du Jour - Risotto de queijo, maçã e nozes

Ontem fiz este risotto de queijo, nozes e maçã. Um risotto verdadeiramente a la Jamie Oliver, i.e a abundar (direi mesmo transbordar) de manteiga e queijos vários. Um bom risotto quer-se cremoso, mas (com toda a boa vontade do mundo!) 450g de queijo/manteiga para 600g de arroz não me parece uma proporção sensata. Mas ele é assim e nós, que já o conhecemos, vamos dando uns cortes nas quantidades, a bem do nosso fígado, que assim como assim, preferimos estragar com álcool do que com queijo gorgonzola.

E como correu, pergunto eu em vosso nome. Correu bem. Dicas para quem quiser experimentar. Maçã é fundamental. Na quantidade indicada ou até um bocadinho mais e quer-se rija e fresca. É a maçã que quebra toda a concentração de gordura láctea e dá a cada garfada uma frescura irresistível. As nozes dão o crunch final e com o seu sabor baço ajudam a contrabalançar a intensidade e o salgado dos queijos.

Se não tiverem manjerona, usem outra coisa. Eu usei manjericão (era o que havia. Estamos em crise), mas preferia ter usado tomilho. Ai, um tomilho é que ficava lá bem. No final, para ficar bonito e no início, posto com o refogado da cebola e mantido, para dar um sabor extra ao risotto. Ai, que fome que dá falar de comida…

Ah, e se experimentarem, contem-me as vossas eventuais variações e resultados. E já agora, são do tipo que segue as receitas fielmente ou que improvisa à medida que vai cozinhando? Tenho um familiar (homem) que cozinha maravilhosamente e que segue as receitas à letra. Para ele é a única forma de se seguir uma receita. Mas parece-me que as mulheres tendem a ver mais as receitas como uma base mais do que uma fórmula. Será mesmo uma questão de género? Será que instintivamente temos mais tendência para o improviso? Honestamente não sei. Fico à espera que a vida me esclareça ou alguém que se antecipe.

Bons cozinhados.
(Hoje vou ter uma festa infantil. Yummy! Bolo. Bolo! :)

26.7.11

Para pensar

(via here*)

* uma mãe de 39 filhos, 38 dos quais adoptados!

21.7.11

Mistério resolvido!

Nunca vos aconteceu aparecem buraquinhos nas vossas t-shirts, todos no mesmo sítio: perto da zona do umbigo ou um pouco mais abaixo? Pois... a mim também, e pelos vistos a muitas outras pessoas. Mas agora o mistério está desvendado. Não são bichos nem queimaduras de cigarros. Afinal era muito mais simples

20.7.11

Dias de Verão

Para sonhar com férias no campo.

plat du jour

tenho uma coisa com listas. ADORO listas. Obsessivamente. Se tivesse tempo, passaria o dia a fazer listas: listas de compras, de coisas para fazer, listas de planos e de objectivos. Mas também listas dos livros que li, dos filmes que vi, das comidas que fiz e comi, dos quilómetros que corri, dos sítios onde fui, etc, etc. Não posso explicar isto nem - por favor - tentem argumentar (que o tempo que se passa a registar é o tempo que não se passa a viver, que é bom relaxar um pouco e não querer controlar cada pequeno detalhe da nossa vida, ...). Eu sei isso tudo, mas é mais forte do que eu. Eu, simplesmente, gosto de listas.
E, posta esta introdução vagamente insana, introduzo aqui uma nova série de posts, chamado "plat du jour". É em francês porque soa bem e porque "prato do dia" soa muito sério. A nossa língua, realmente, é muito séria, pesada. Pelo menos para mim. Não é necessariamente mau, mas pesa. E eu sou uma pequena borboleta :) tanto peso acaba comigo.
Mas continuando. Esta série consiste não mais do que listar o que vou cozinhar (ou cozinhei) no dia do post. E eventualmente comentar como correu, o que mudei, pequenos comentários sobre a comida, etc. That's it. Uma seca, não? - pensarão alguns de vocês.
Mas se alguns acharão entediante, espero que pelo menos o mesmo número se sinta inpirado com as ideias de receitas novas. Farei o meu melhor para correr o mundo da internet à procura das melhores receitas, e com isso deixar-vos também a vocês felizes e de barriga cheira (ou esfomeados e invejosos). It's up to you!

Et voilà… hoje ao jantar vou fazer algo entre este chacuti de tofu e grão e este chacuti de galinha e esta sopa fria de cenoura.
Depois conto como correu!

19.7.11

15.7.11

Sugestões para o fim-de-semana (para os que considerem em Julho estar em qualquer outro sítio que não a praia):

ir ver este filme, se ainda não viram. é um exercício de contemplação, do princípio ao fim. Mas 138 minutos a contemplar uma beleza assim não custa nada. No meu top de filmes mais bonitos de sempre.

ir ver esta exposição ao Museu da Cidade. Uma visão sobre o desenvolvimento urbano no Continente Africano, numa exposição muito completa e bem conseguida, onde se podem ver muitas fotografias e aprender mais sobre a modernidade num continente em que nos habituámos a não a imaginar. E aproveitar para conhecer o Jardim Bordalo (Bordallo?) Pinheiro, povoado de bicharada variada do artista das Caldas da Rainha. Curiosamente, não vi lá andorinhas. Muito giro para as crianças. A b. adorou!

Ir ao SBSR, que este ano tem o cartaz melhor que me lembro de ter visto em qualquer festival de Verão.

E, finalmente, ir ao Miosótis e abastecerem-se de tomate (lindo, vermelhinho, cheiroso e a 0,90€/kg!!!) para o resto do ano. O tomate que se vende no inverno é, convenhamos, um horror. E é por isso que decidi começar a comprar tomate bom no Verão e congelá-lo para usar em cozinhados vários até a natureza nos abençoar com mais uma colheita de tomate delicioso! E, enquanto o verão não acaba.... comê-lo cru. Quando é bom, só precisa de azeite, um toque de sal, um pão e sol na cabeça para nos deixar felizes.... ou fazer doce. Mais um. Com casca de limão, cravinho e sem o pelar se, como eu e a b., gostarem de encontrar as casquinhas dos frutos nos doces enquanto os comem.

E por falar em tomate, ando a aplicar uma variante desta técnica no meu trabalho. So far, so good.

Bom fim-de-semana!